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Coluna

Deu “branco”: Compreendendo e aprendendo a lidar com os lapsos de memória

Lidar com o “branco na memória” exige uma reação funcional para que o desempenho não seja prejudicado.

Equipe de Conteúdos Ceisc
Última atualização em 02/02/2026
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Por Vitor Mueller​


A última vez que estive por aqui foi para falar sobre a campanha do “Janeiro Branco”. Hoje, porém, quero falar sobre outro tipo de “branco”: aquele que assombra a maioria dos estudantes, especialmente em momentos decisivos como durante os estudos, e na execução da prova da OAB. Trata-se do temido “branco” na memória. Esse fenômeno recebe esse nome porque remete a uma página em branco - que, até pouco tempo atrás, parecia repleta de anotações, conteúdos grifados, sublinhados e, supostamente, bem memorizados. Quando o branco acontece, é natural que a memória aparente estar coberta por um véu de esquecimento, e frente a isso surjam respostas cognitivas, emocionais e comportamentais, afinal, não se trata de uma experiência desejada e exige uma reação funcional para que o desempenho não seja prejudicado.  

   

Por que o “branco” acontece?  


O branco na memória pode ocorrer por diferentes razões. Uma das principais está relacionada aos prejuízos no descanso, especialmente no sono. O sono é fundamental para a regulação das funções executivas, como atenção, memória de trabalho, controle inibitório, planejamento e flexibilidade cognitiva - todas diretamente ligadas ao rendimento nos estudos e à rememoração das informações aprendidas, seja em momentos de simulados, ou no momento do exame propriamente dito.   


Além disso, o momento sociocultural em que vivemos é marcado por um excesso de estímulos e informações. Essa sobrecarga dificulta o cuidado adequado com a atenção e a memória, impactando negativamente no processo de aprendizagem. Quando esse cuidado não é executado, as chances de ocorrer o branco aumentam. À medida que aprendemos a manejar melhor esses estímulos, o risco tende a diminuir, visto que (re)educamos nosso cérebro a processar as informações de forma mais gradual, oportunizando maior profundidade e conexão com o estímulo atendido. O mesmo acontece no processo de memorização e atenção, e consequentemente, na relação com o conteúdo estudado.

   

Outro ponto fundamental envolve o aspecto emocional. A preparação para a prova da OAB é atravessada por inúmeras emoções: expectativa, medo, pressão, esperança e ansiedade. Trata-se de uma prova de grande importância, carregada de sonhos, projetos e do peso da imprevisibilidade. Esse contexto ativa o que chamamos de ansiedade preparatória, uma resposta natural do corpo e da mente diante de um desafio significativo.  

   

O que acontece com meu cérebro durante o “branco”?  


Do ponto de vista neurofisiológico, o branco pode ser compreendido como uma resposta ao estresse. Quando o sistema nervoso simpático é ativado, o cérebro entra em modo de alerta - como se um alarme de incêndio tivesse sido acionado. Nessa metáfora, a memória funciona como uma biblioteca: o conteúdo continua lá, organizado nas estantes, mas, com o alarme disparado, o acesso fica temporariamente bloqueado. O problema não é a ausência do conteúdo, e sim a dificuldade momentânea de acessá-lo. Por isso, é essencial lembrar: o branco não é uma falha moral, nem um indicativo de incompetência. Ele é uma resposta fisiológica à tensão e à ansiedade. O conteúdo estudado permanece armazenado e pode ser recuperado, desde que haja tempo e regulação emocional suficiente para que o sistema volte ao equilíbrio.  

   

O que eu posso fazer para lidar com o “branco”?  


Algumas estratégias podem ajudar a lidar melhor com esse fenômeno na hora da prova. Recursos de regulação emocional, como respiração diafragmática, técnicas de mindfulness e pausas conscientes, auxiliam a reduzir a ativação fisiológica e favorecem o retorno do acesso à memória.

   

Outra estratégia importante é o treinamento por meio de simulados. Os simulados são o teste mais próximo da situação real da prova. Ao repeti-los, o cérebro e o corpo passam a reconhecer semelhanças entre as situações, criando repertório emocional e cognitivo para lidar melhor com o estresse decorrente de eventos de natureza semelhante. Isso aumenta a sensação de familiaridade e oferece mais alternativas mentais para reorganizar pensamentos e emoções quando o branco surge.   


Também é fundamental exercitar a reestruturação cognitiva nesses momentos. Em vez de se desesperar, o convite é acessar a autocompaixão e buscar evidências concretas do próprio esforço: lembrar-se das horas de estudo, dos conteúdos revisados, das questões resolvidas. Essas memórias funcionam como âncoras de tranquilidade, ajudando a sustentar a ideia de que é apenas uma questão de tempo até que a informação venha à consciência.  

   

Por fim, é importante reforçar que o objetivo não é eliminar a ansiedade, mas aprender a navegar por ela. A ansiedade está presente justamente porque a prova é importante e merece ser enfrentada. Quando compreendida e manejada adequadamente, ela deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma sinalização de engajamento com aquilo que importa.  


Se o branco aparecer, respire, confie no processo e lembre-se: o conhecimento está armazenado, você só precisa reorganizar a memória e encontrá-lo. Às vezes, tudo o que ele precisa é de alguns instantes de calma para voltar à superfície da consciência. Lembre-se: se você está se preparando para a OAB, cuidar da sua saúde mental também faz parte da sua aprovação.  

   

Um carinhoso abraço do psicólogo Vitor Mueller!  

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