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Quando o resultado não vem como esperado: lidando com as pressões familiares e sociais

Lidando com as expectativas frustradas sem perder a própria essência.

Última atualização em 26/02/2026
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Se você está lendo este texto e não obteve o resultado que esperava no seu último exame da OAB - e ainda sente o peso da prova sobre os ombros -, talvez esse peso não esteja apenas na avaliação em si. Pode haver um fardo invisível aos olhos, mas nítido e perturbador para a consciência. Talvez ele esteja em uma fala - sua ou de alguém próximo - que expressa desapontamento. Talvez resida em um olhar ou em um silêncio desconfortável. Talvez esteja nas inúmeras vezes em que você se comparou aos colegas de maneira depreciativa. Ou, ainda, na indagação interna que coloca em xeque sua dignidade a partir do resultado de um exame.


Não há motivo para espanto: não sou vidente nem leio mentes; sou apenas mais um ser humano que já esteve na pele de quem atravessou desafios significativos. Compreendo a dor e a angústia que a frustração pode provocar - e o alcance que ela pode ter nos dias que se seguem ao infortúnio. O exame da OAB representa não apenas a porta de entrada para a construção de novos sonhos profissionais e pessoais, mas também carrega consigo um status de validação simbólica, seja na esfera pessoal, seja na social, independentemente da realidade de cada candidato que busca a aprovação.


Não somos capazes de nos desvincular completamente das expectativas sociais sobre nossas ações - e isso é perfeitamente natural. Mas o que acontece quando essa influência ultrapassa os limites do tolerável? Em geral, o corpo dá sinais. O aparato psicológico clama por amparo e manifesta uma diversidade de sintomas que indicam à consciência que algo está em desequilíbrio. São os pesos das expectativas: como surgem e como os armazenamos.



Separando o apoio da projeção



Há uma linha que, para muitos, é tênue: até onde vai o apoio e onde começa a projeção? Apoiar significa oferecer suporte; projetar, por sua vez, é depositar no outro a realização de um desejo próprio. Na prática, receber apoio é ter suas demandas mais essenciais respeitadas; já a projeção pode sufocar o indivíduo, exigindo que ele se molde a determinado cenário.


Estabelecer essa diferença com sua rede de apoio - amigos, colegas ou familiares - implica comunicar que tipo de suporte você espera: mais silêncio nos períodos de estudo, evitar assuntos sensíveis às vésperas da prova, entre outras possibilidades. Além disso, é fundamental impor limites às projeções. Esteja atento ao que lhe causa desconforto, ainda que seja interpretado por outros como incentivo. Você não é responsável por carregar as ambições e frustrações alheias.


Desviando das distorções



Situações decepcionantes carregam uma intensidade emocional significativa. O humor pode tornar-se melancólico ou irritadiço, interferindo na maneira como construímos nossos pensamentos diante do cenário adverso. Nessa dinâmica, as distorções cognitivas costumam ganhar força, como o pensamento dicotômico (o “tudo ou nada”, que associa a nota ao valor pessoal ou à capacidade) ou a catastrofização (a crença de que o futuro está irremediavelmente comprometido e que a aprovação jamais será alcançada).


Diante disso, torna-se essencial investigar quais ideias sustentam o que estamos sentindo, avaliando sua veracidade e, quando necessário, reestruturando o pensamento de maneira lógica e equilibrada. Sobretudo, é preciso assumir uma postura autorresponsável diante do resultado: o que você fará com ele a partir de agora?


Por fim, reforço que a pressão social não pode ser completamente dissociada da nossa essência: somos constituídos, desde os primeiros instantes de vida, a partir do olhar do outro. A maneira como você responde a isso, na vida adulta, pode ser fruto de uma construção pautada no equilíbrio e no cuidado com a saúde mental.


Lembre-se: resultado não é identidade, mas circunstância. E circunstâncias podem ser transformadas, gerando novos desfechos - desde que haja engajamento consciente no percurso até o objetivo final.



Um afável abraço, do psicólogo Vitor Mueller.

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