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Veja as questões passíveis de recursos na prova para Oficial Investigador da PC-PI

Prazo para interposição de recursos contra o gabarito preliminar da prova acontece entre os dias 28 e 29 de janeiro, no site da banca.

Última atualização em 28/01/2026
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Publicado no início da tarde da última terça (27) os gabaritos preliminares da prova que contempla a carreira de Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Piauí (PC-PI). Nisso, de acordo com o cronograma de atividades do certame, o próximo passo será a fase de interposição de recursos que inicia nesta quarta-feira (28). Sendo assim, o nosso time de professores já está analisando as questões da prova e apresenta a seguir as questões passíveis de recursos.


Vale lembrar que o prazo para interposição de recursos contra o gabarito preliminar e contra a aplicação das provas, inicia nesta quarta-feira, dia 28 de janeiro e segue até o dia 29/01, exclusivamente pelo site da Fundação Getúlio Vargas. A divulgação do resultado definitivo da prova objetiva, está marcada para o próximo dia 11 de março.

Confira as questões abaixo

Questão 78 – Medicina Legal


A questão solicita a alternativa correta sobre a marcha da rigidez" cadavérica, apontando a alternativa B como correta. Tradicionalmente, a Medicina Legal adota a Lei de Nysten-Sommer, que descreve a progressão da rigidez na musculatura esquelética. Segundo França, essa marcha inicia-se pela face, mandíbula e pescoço, seguida pelo tronco, membros superiores e, por fim, membros inferiores.


Embora ele mesmo aponte que o miocárdio e o diafragma possuam uma rigidez precoce devido às suas características histológicas e atividade metabólica antes da morte, a alternativa B é tecnicamente confusa ao misturar a marcha de instalação externa com a cronologia interna.


Além disso, autores como Delton Croce e Hélio Gomes reforçam que a rigidez se manifesta primeiro nos músculos da face e da mandíbula. Ao afirmar que o coração antecede os músculos da face, a questão entra em conflito com a descrição clássica da Lei de Nysten, que é o padrão para concursos públicos. A ambiguidade reside no fato de que, em um exame necroscópico externo comum na prática pericial descrita em provas, a face é invariavelmente o primeiro ponto de constatação.


Pela falta de clareza se a questão se refere à marcha global, ncluindo vísceras, ou à marcha clássica de Nysten, a esquelética, o item induz o candidato ao erro, carecendo de uma resposta inequívoca.


Diante do exposto, a questão 78 não apresenta uma resposta correta, sendo passível de anulação.



RECURSO – QUESTÃO 1 - LÍNGUA PORTUGUESA


Assunto: Sujeito oculto × oração sem sujeito


A questão solicita:


“Assinale a opção em que há escolha de omissão do sujeito da oração.”


O comando é preciso: busca-se uma construção com sujeito existente, determinado, mas não expresso (sujeito oculto/desinencial).


A banca apontou como correta a alternativa B:


“No estágio mais grave, há confinamento, lesões corporais, ameaças com armas, abuso sexual, espancamento e ameaça de morte.”


Contudo, nessa construção não há sujeito oculto, mas sim oração sem sujeito, pois o verbo haver, com sentido de existir, é impessoal, não admitindo sujeito, conforme a gramática normativa.


Trata-se, portanto, de caso clássico de inexistência de sujeito, e não de omissão.


“O verbo haver, quando empregado com sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal, ficando invariavelmente na terceira pessoa do singular.” (Bechara; Cunha & Cintra; Cegalla)


Logo, a alternativa B não atende ao que pede o enunciado.


Já a alternativa E afirma:


“O objetivo é facilitar o acesso às informações.”


Aqui, há um sujeito claramente determinado (“o objetivo”), mas o trecho faz parte de um contexto textual maior em que se poderia, perfeitamente, construir a oração com retomada elíptica, como ocorre com frequência em textos institucionais:


“A cartilha está disponível online (...). O objetivo é facilitar o acesso às informações, incentivar denúncias e reforçar o apoio às vítimas.”


Nesse período, “o objetivo” funciona como retomada semântica de um referente anterior (a cartilha / a campanha / a iniciativa), o que configura opção estilística pela omissão do referente pleno, resultando em sujeito determinado, recuperável pelo contexto - exatamente o que se compreende, no âmbito das provas de concurso, como omissão do sujeito.


Além disso, é a única alternativa em que existe, de fato, sujeito sintático, o que a torna a única compatível com o enunciado.


Conclusão


A alternativa B apresenta oração sem sujeito, em razão do emprego impessoal do verbo haver, não havendo que se falar em sujeito oculto.


Já a alternativa E é a única em que se verifica sujeito determinado, passível de recuperação contextual, atendendo corretamente ao comando da questão.


Requer-se, portanto, a alteração do gabarito para a alternativa E.



RECURSO – QUESTÃO 4 - LÍNGUA PORTUGUESA



Assunto: Pontuação – oração adjetiva explicativa × aposto explicativo


A questão solicita o julgamento das assertivas a respeito da pontuação na frase:


“Os dados fazem parte da Biografia da Vítima de Feminicídio, produzida pela Gerência de Análise Criminal Estatística (Gace), e mostram que 87,85% das vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência contra os agressores”.


A banca considerou correta a assertiva II, que afirma:


“A dupla marcação de vírgulas ocorre em função do aposto explicativo.”


Entretanto, essa afirmação não procede.


O segmento:


“produzida pela Gerência de Análise Criminal Estatística (Gace)”


não é aposto explicativo, mas sim uma oração adjetiva explicativa reduzida de particípio, pois:


• apresenta valor adjetivo (caracteriza “Biografia da Vítima de Feminicídio”);
• possui verbo em forma nominal (“produzida” = particípio);
• equivale a uma oração desenvolvida: “que foi produzida pela Gerência de Análise Criminal Estatística (Gace)”.


Logo, a dupla marcação de vírgulas não decorre de aposto, mas do isolamento de uma oração subordinada adjetiva explicativa, o que torna a assertiva II incorreta.


A gramática normativa é pacífica ao distinguir:


• aposto explicativo → termo nominal equivalente a outro nome;
• oração adjetiva explicativa → oração de valor adjetivo, com verbo, ainda que reduzido. (Bechara; Cunha & Cintra; Cegalla)


Por outro lado, a assertiva III afirma:


“As vírgulas marcam uma oração adjetiva explicativa, que pode ser retirada da frase sem prejuízo de sentido.”


Essa afirmação está correta, pois:


• trata-se efetivamente de oração adjetiva explicativa reduzida;
• tem caráter acessório;
• pode ser suprimida sem comprometer a estrutura sintática nem o núcleo informativo essencial do período.


Já a assertiva I também não se sustenta, pois as vírgulas não se justificam por ‘sujeitos diferentes na sentença’, mas pela intercalação de uma oração explicativa.


Conclusão


Apenas a assertiva III está correta.


A assertiva II erra ao classificar o trecho como aposto explicativo, quando se trata de oração adjetiva explicativa reduzida de particípio.


Requer-se, portanto, a alteração do gabarito para a alternativa “D) III, apenas.”

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