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OAB 1° e 2° fase

A terceira fase do Exame da OAB

A etapa que não aparece no edital, mas que desafia a capacidade de conviver com a incerteza enquanto o resultado não chega.

Última atualização em 07/07/2026
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Prova feita, coração tranquilo? Nada disso. Estamos entrando na estação da “terceira fase” do Exame da OAB. Se esta é a sua primeira vez passando por aqui, seja bem-vindo. Convido você a refletir comigo sobre alguns fenômenos comuns que costumam surgir durante essa parte da travessia.


Tradicionalmente, conversamos com profundidade sobre os fenômenos que acompanham o processo preparatório. Escrevo sobre desempenho, consistência, procrastinação, perfeccionismo, entre tantos outros temas fundamentais para quem busca uma preparação sólida. Entretanto, é fácil esquecer que os fenômenos psicológicos não cessam quando os cronogramas de estudo terminam e a prova é entregue.


Depois disso, inicia-se um momento que também pode ser bastante desafiador de elaborar: a espera pelo resultado definitivo.


Percebe-se, então, que deixamos de fora das discussões uma etapa que não faz parte da estrutura formal do exame, composta pela primeira e pela segunda fase, mas que exerce grande impacto sobre quem a vivencia. Trata-se de um período que já não exige novos estudos, cronogramas ou questões discursivas e de múltipla escolha. Exige, sobretudo, tolerância à passagem do tempo até o dia da divulgação dos resultados. São dias em que já não há mais respostas a escrever nem conteúdos a revisar. Resta apenas aguardar. E ser paciente nem sempre é uma tarefa simples em uma cultura que nos acostumou a esperar respostas imediatas para quase tudo.


Nesse contexto, a necessidade de recuperar alguma sensação de controle emerge com força. Esse fenômeno torna-se evidente quando observamos comportamentos frequentes entre os candidatos nesta etapa: conferir repetidas vezes a prova, recalcular a nota, buscar incessantemente novas correções e interpretações das questões, discutir em grupos possíveis respostas e acompanhar cada nova informação que surge. À primeira vista, essas atitudes podem parecer apenas tentativas legítimas de compreender o próprio desempenho. Em muitos casos, porém, elas revelam a dificuldade de aceitar que, neste momento, a correção já não depende mais de nós, ainda que nosso cérebro e nossas emoções insistam em transmitir a sensação contrária.


É justamente nesse ponto que a busca por novas respostas deixa de atender apenas a um objetivo racional e passa, de maneira sutil, a exercer uma função de regulação emocional. A expectativa é que a próxima correção, a opinião de outro professor ou mais uma discussão em grupo finalmente ofereçam a segurança que ainda falta. O problema é que essa segurança dificilmente chega. Pelo contrário, cada nova informação costuma produzir um breve alívio, seguido por novas dúvidas, alimentando um ciclo que só encontrará um desfecho quando o resultado oficial for divulgado.


Por fim, considero importante reforçar algo que pode parecer óbvio, mas que merece ser lembrado. Não esperamos que você consiga simplesmente desligar seus pensamentos e emoções relacionados ao resultado da prova. Enquanto mentores e professores, também vivemos esse período acompanhados de expectativa e torcida por boas notícias. Ainda assim, vale reconhecer que, mesmo durante a espera, seu cérebro continua trabalhando intensamente. Ele procura controlar impulsos, busca novas fontes de confirmação, tenta reduzir a incerteza e, ao mesmo tempo, reencontrar o ritmo da rotina que ficou temporariamente suspensa.


Talvez maturidade emocional também envolva reconhecer que existem momentos em que um objetivo deixa de responder aos nossos esforços e passa a depender apenas da passagem do tempo. Isso não significa desistir daquilo que é importante, mas fazer as pazes com a compreensão de que nem tudo está ao alcance do nosso controle. A aprovação certamente representa um marco na trajetória profissional. Aprender a atravessar a espera sem transformar a incerteza em sofrimento constante é uma habilidade que continuará sendo valiosa muito além do Exame da OAB.


Um abraço indulgente do seu psicólogo aqui no Ceisc, Vitor Henrique Mueller.

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