Oficial de justiça: o que faz e como seguir essa carreira
Conheça as principais atribuições do oficial de justiça, a remuneração da carreira, os requisitos exigidos e as etapas para ingressar no Judiciário.
Publicado em 20/10/2026
O oficial de justiça é um dos profissionais mais presentes no dia a dia do Poder Judiciário e, ao mesmo tempo, um dos menos conhecidos por quem está de fora.
Ele é o elo entre as decisões do juiz e o mundo real: a pessoa que bate na porta, entrega a citação, lavra o auto de penhora e garante que a Justiça saia do papel.
Para quem estuda Direito ou quer construir carreira no setor público, o cargo reúne estabilidade, remuneração competitiva e uma rotina que exige tanto conhecimento jurídico quanto equilíbrio emocional.
Neste guia, você vai encontrar tudo sobre o que faz esse profissional, quanto ganha, como ingressar no cargo e como se preparar para o concurso.
O que é um oficial de justiça?
O oficial de justiça é um servidor público efetivo do Poder Judiciário, responsável por dar cumprimento às ordens emanadas dos magistrados.
Seu trabalho é o que torna concreto o que antes existia apenas como decisão judicial, ou seja, sem esse profissional, citações, intimações, penhoras e mandados de busca e apreensão ficariam restritos ao papel.
Definição legal da função
A função está prevista no Código de Processo Civil, que trata dos auxiliares da Justiça e atribui ao oficial de justiça o cumprimento de mandados, a lavratura de certidões e a realização de diligências externas determinadas pelo juízo.
A Resolução CNJ nº 119/2010 também tratou do cargo ao regulamentar os critérios de escolaridade para provimento, abrindo espaço para que cada tribunal defina seus próprios requisitos dentro dos parâmetros nacionais.
Importância para o Judiciário
Sem o oficial de justiça, o processo judicial não sai da esfera interna dos tribunais.
É esse profissional que garante o contraditório ao levar ao réu o conhecimento formal de uma ação; que viabiliza a execução ao realizar penhoras; que cumpre mandados de reintegração de posse e condução coercitiva.
O cargo é, portanto, indispensável para que a prestação jurisdicional seja efetiva e não apenas formal.
O que faz um oficial de justiça?
A rotina do oficial de justiça é essencialmente externa. Diferentemente de outros servidores do Judiciário que atuam dentro das varas e secretarias, esse profissional passa boa parte do seu dia em campo, cumprindo diligências nos mais variados endereços: residências, empresas, órgãos públicos e, em alguns casos, locais de difícil acesso.
Principais atribuições
As atribuições do oficial de justiça envolvem o cumprimento de todos os atos processuais que exigem saída física do tribunal.
As mais comuns são:
realizar citações (comunicando formalmente a parte sobre a existência de um processo);
cumprir intimações e notificações judiciais;
executar penhoras de bens móveis e imóveis;
realizar buscas e apreensões determinadas pelo juízo;
cumprir mandados de reintegração e imissão de posse;
lavrar autos, certidões e relatórios sobre cada diligência realizada;
e prestar informações ao juiz sobre o resultado de cada ordem cumprida ou tentada.
Quando encontra resistência no cumprimento de medidas coercitivas, o servidor pode solicitar apoio policial e documenta tudo em ato formal anexado ao processo. Cada diligência gera um registro escrito que compõe o histórico processual.
Como é a rotina de trabalho
A rotina do oficial de justiça não tem horário fixo nem endereço permanente. As diligências são distribuídas pelo cartório ou pelo sistema interno do tribunal, e o profissional organiza seu roteiro diário para cumprir o maior número possível de mandados.
Há situações que exigem atuação noturna ou em finais de semana, especialmente quando a urgência do mandado não permite espera.
Uma dúvida comum entre quem pesquisa o cargo é se ele pode entrar na casa de alguém sem autorização. A resposta é não: o acesso a domicílio sem o consentimento do morador exige mandado judicial específico, com as condições e limites definidos pelo juiz. O profissional age dentro dos limites do que foi determinado e documentado no processo.
Quais são os requisitos para ser oficial de justiça?
Os requisitos variam conforme o tribunal, mas há um conjunto de exigências que se repete na maioria dos editais. Conhecê-los com antecedência evita surpresas na hora da inscrição ou da posse.
Formação exigida
A maioria dos tribunais exige diploma de nível superior em qualquer área, com algumas exceções que aceitam o ensino médio completo, conforme a política de cada órgão.
Tribunais com maior volume processual, como o TJ SP, costumam exigir graduação em qualquer área, enquanto alguns editais de tribunais federais pedem formação específica em Direito.
Além da escolaridade, é obrigatório ter Carteira Nacional de Habilitação na categoria B, já que o cargo envolve deslocamentos constantes com veículo próprio ou do tribunal.
Competências comportamentais
O edital seleciona pelo conhecimento, mas a carreira exige muito mais do que isso.
O oficial de justiça lida com pessoas em situações de alta tensão emocional: réus sendo citados pela primeira vez, devedores que terão bens penhorados, famílias em processo de despejo. Equilíbrio emocional, capacidade de comunicação clara e postura imparcial são atributos essenciais para o cargo.
O que o oficial de justiça não pode fazer é exceder os limites da ordem judicial: qualquer ação além do que está determinado no mandado configura abuso de autoridade, com consequências administrativas e penais previstas na Lei nº 13.869/2019.
Qual o salário de um oficial de justiça?
A remuneração varia bastante conforme a esfera e o estado. Abaixo temos a representação em valores de referência com base nos editais mais recentes:
Além do salário-base, os tribunais costumam oferecer auxílio-alimentação, auxílio-transporte, assistência médica e, em muitos casos, adicional de qualificação para servidores com pós-graduação. A remuneração total pode superar consideravelmente o vencimento básico quando somados esses benefícios.
Como funciona a carreira e a progressão?
A progressão na carreira do oficial de justiça segue duas trilhas principais.
- a horizontal acontece por tempo de serviço, com avanços periódicos dentro da tabela remuneratória do tribunal, sem necessidade de concurso adicional;
- a vertical, menos comum, pode ocorrer por meio de promoções internas ou pela designação para funções comissionadas, que acrescentam valores significativos ao contracheque.
Em tribunais com plano de carreira bem estruturado, como o TJ MT, a remuneração pode ir de R$5.654,15 no início até R$17.813,18 ao longo da trajetória.
Quem investe em formação continuada acelera essa progressão por meio do adicional de qualificação, previsto nos planos de carreira de diversos tribunais.
Como é o concurso para oficial de justiça?
O ingresso no cargo é exclusivamente por concurso público, organizado pelo próprio tribunal ou por banca contratada.
O formato mais comum envolve prova objetiva de múltipla escolha, prova discursiva em alguns editais, exame de títulos para candidatos de nível superior e avaliação de aptidão física e mental.
As disciplinas mais cobradas na prova objetiva são Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Direito Processual Civil, Direito Administrativo e Noções de Informática.
O conteúdo específico varia conforme o tribunal, mas a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) e a Constituição Federal são presença garantida em praticamente todos os editais, dado que definem as bases legais de atuação do cargo.
As bancas organizadoras podem variar conforme o tribunal e o edital. Por isso, é importante consultar as provas anteriores do órgão responsável pelo concurso e identificar as características das questões, os critérios de avaliação e os conteúdos mais recorrentes.
Como se preparar para o concurso de oficial de justiça?
O ponto de partida é identificar o tribunal de interesse e ler o edital antes de qualquer outra coisa.
Cada órgão tem distribuição de disciplinas diferente, e estudar sem esse mapa significa desperdiçar tempo em conteúdo que pode ter peso mínimo na prova.
Depois de mapeado o edital, montar um cronograma de estudos distribuído pelo peso de cada disciplina é o que separa quem chega preparado de quem chega com lacunas.
Direito Processual Civil merece atenção prioritária em qualquer preparação para o cargo: é a disciplina que sustenta diretamente as atribuições do oficial de justiça e aparece com peso alto em quase todos os editais.
Resolver provas das edições anteriores do tribunal de interesse, e especialmente da banca organizadora, é a forma mais direta de se familiarizar com o estilo de questão que vai aparecer no dia da prova.
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Conclusão: sua carreira no Judiciário começa aqui
O oficial de justiça ocupa uma posição que poucos cargos no serviço público conseguem reunir: atuação direta na concretização da Justiça, estabilidade, remuneração competitiva e uma rotina que nunca é igual a do dia anterior.
Para quem tem formação jurídica ou está construindo essa base, é um ponto de entrada sólido no Judiciário com perspectiva de progressão. O concurso exige preparo técnico e resistência emocional, e quem entende isso desde o início da preparação chega ao dia da prova com muito mais segurança do que a maioria.
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