0.00
Concursos

Veja as questões passíveis de recursos na prova para Técnico do TJ-RS

Prova objetiva foi aplicada no último domingo (30). Prazo para recursos acontece entre os dias 2 e 4 de dezembro no site da FGV.

Última atualização em 03/12/2025
Compartilhar:

Aplicada no último domingo, dia 30 de novembro, a prova do edital que contempla a carreira de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJ-RS) está sendo analisada pelo nosso time de professores especialistas e informa abaixo as questões passíveis de anulação identificadas até o momento.


Este conteúdo será atualizado conforme novas questões passíveis de recursos forem apontadas pela nossa equipe. Por fim, vale lembrar que a banca ressalta que, para os interessados, o período para interposição de recursos inicia nesta terça, dia 2 de dezembro, e segue até a próxima quinta-feira (4), exclusivamente pelo site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca responsável pela seleção.



Confira as questões passíveis de recursos abaixo


QUESTÃO 64: “Após ser aprovado em concurso público de provas e títulos...”

GABARITO (alternativa correta):   (D) 1 e II, apenas.


COMENTÁRIO POR ALTERNATIVA:


Cabe recurso porque conteúdo fora do edital.

Item I - verdadeira - Art. 4° O Código de Ética e de Conduta dos Servidores do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul deverá estar disponível em todas as unidades de trabalho de 1° e 2° graus, e sua versão digital deverá estar na intranet e internet.

Item II - verdadeira - Art 3º, § 2° A prestação de compromisso de observância do presente Código integrará o termo de posse do servidor e dos contratos de estágio e de prestação de serviços de forma a assegurar o alinhamento de conduta entre todos os colaboradores do Poder Judiciário Estadual.

Item III - errada - Art. 5° Cabe aos gestores, em todos os níveis, divulgar os preceitos aqui expostos e garantir que seus subordinados os apliquem.

(Não há previsão legal de periodicidade nem na forma dessa divulgação).


​FUNDAMENTO RECURSO:


Venho, respeitosamente, recorrer contra a questão nº 64, por entender que ela extrapola o conteúdo delimitado no edital. No tópico correspondente, o programa traz a expressão “Deveres e competências do servidor”, seguida, após dois pontos, pela indicação das normas que serviriam de base para esse tema (“Código de Ética e de Conduta dos Servidores do PJRS (Ato Regimental nº 01/2020-P)”, etc.). Do ponto de vista da língua portuguesa, o núcleo do item é justamente “deveres e competências do servidor”, sendo o trecho posterior mera especificação das fontes normativas, e não autorização para cobrança de qualquer dispositivo do Código de Ética. A questão, porém, exigiu conhecimento de regras sobre disponibilização do Código em todas as unidades, sua divulgação por gestores mediante reuniões e palestras mensais e inserção de compromissos em termos de posse, estágios e contratos de prestação de serviços, temas ligados à gestão e à publicidade do Código, e não propriamente aos deveres e competências funcionais do servidor. Assim, a cobrança não guarda aderência objetiva ao conteúdo programático, violando o princípio da vinculação ao edital e prejudicando candidatos que, corretamente.​



QUESTÃO 79: “O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução nº 615/2025,...”

GABARITO (alternativa correta):  (E) A supervisão automatizada, periódica e adequada no ciclo de vida da IA, considerando custos financeiros, possibilidade de ajuste de contratos e impactos da solução utilizada.


COMENTÁRIO POR ALTERNATIVA:

A) Trata-se de princípios previstos no art 3, inciso I

B) Trata-se de princípios previstos no art. 3, IV

C) Trata-se de princípio s previstos no art. 3, VI

D) Trata-se de princípios previstos no art. 3, VIII

E) Os itens descritos não estão lista dos entre os princípios, abordados pela resolução 615 do CNJ.

FUNDAMENTO RECURSO:


A questão deve ser anulada, pois exigiu dos candidatos conhecimentos sobre a Resolução 615 do CNJ, a qual não consta no edital do certame. Conforme o edital, temos o que segue:

8 .Lei Geral de Proteção de Dados brasileira (Lei n.º 13.709/2018); Guia de Boas Práticas LGPD do TJRS (disponível em:  https://www.tjrs.jus.br/novo/lgpd/enunciados-normatividadeecapacitacao/normas/ ). 

9. Ferramentas de colaboração e comunicação online. 

10. Noções de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina. 

11. Acessibilidade digital e Poder Judiciário: uso da Inteligência Artificial para resolução de problemas e elaboração de textos com segurança jurídica. 

No link indicado acima (guia de boas práticas do TJRS) até se encontra menção à legislação e resoluções. Contudo, sobre o uso de IA pelos tribunais, há menção somente à resolução 332/2020 (revogada pela resolução 615). Assim, como o edital não mencionou em momento algum a resolução 615, e o portal do TJRS apontado no edital como base consultiva para resoluções não encontra-se atualizado, a questão deve ser anulada, com pontuação sendo atribuída a todos os candidatos.




QUESTÃO 38




À banca examinadora da FGV

Venho, respeitosamente, solicitar a anulação da questão 38 da prova de Raciocínio Lógico Matemático, que trata de equivalência lógica envolvendo a sentença.

A questão referida:

Considere a sentença:

“Se Márcia é gaúcha, então é torcedora do Grêmio ou torcedora do Internacional”.

Assinale a opção que indica uma sentença logicamente equivalente a essa.

a) Se Márcia não é gaúcha, então não é torcedora do Grêmio nem do Internacional.

b) Se Márcia não é torcedora do Grêmio, então não é gaúcha ou é torcedora do Internacional.

c) Se Márcia não é torcedora do Grêmio, então não é gaúcha nem é torcedora do Internacional.

d) Se Márcia não é torcedora do Internacional, então não é gaúcha nem é torcedora do Grêmio.

e) Se Márcia não é torcedora do Grêmio ou não é torcedora do Internacional, então não é gaúcha.

Argumentação

“Se Márcia é gaúcha, então é torcedora do Grêmio ou torcedora do Internacional.”

A sentença pode ser representada simbolicamente como:

P → (Q ∨ R)

onde:
P = “Márcia é gaúcha”
Q = “Márcia é torcedora do Grêmio”
R = “Márcia é torcedora do Internacional”

Uma sentença logicamente equivalente deveria ser derivada pelas leis da lógica proposicional, em especial a contrapositiva:

P → (Q ∨ R) ≡ ¬(Q ∨ R) → ¬P
≡ (¬Q ∧ ¬R) → ¬P

Portanto, a única forma logicamente equivalente aceita seria:

“Se Márcia não é torcedora do Grêmio E não é torcedora do Internacional, então ela não é gaúcha.”

Nenhuma das alternativas apresentadas corresponde a essa proposição. A análise individual mostra:

a) Traz a recíproca, não equivalente.
b) Contém uma disjunção incorreta no consequente e não mantém equivalência formal.
c) Apresenta a recíproca negada, não equivalente.
d) Também apresenta recíproca com estrutura incorreta.
e) Utiliza a disjunção na hipótese, contrariando a contrapositiva correta.

Assim, nenhuma alternativa corresponde à equivalência lógica verdadeira da sentença original.

Diante disso, não há opção correta, motivo pelo qual solicito a anulação da questão.

Atenciosamente,

Nome do candidato



QUESTÃO 75

 ​

FUNDAMENTO RECURSO: Conforme disposto no edital do concurso, no tópico 9 do conteúdo programático (“Ferramentas de colaboração e comunicação online”), não há menção específica à plataforma Slack. O edital, de forma explícita, cita apenas o Microsoft Teams como ferramenta de colaboração e comunicação, conforme consta no item 1: “Aplicativos do pacote Microsoft Office 365 (Word, Excel, PowerPoint, Outlook, Teams, OneDrive e SharePoint – versões desktop e web).”

Embora o tópico 9 seja genérico (“Ferramentas de colaboração e comunicação online”), a menção exclusiva ao Microsoft Teams em seção específica demonstra a delimitação do conteúdo cobrado, não sendo razoável exigir do candidato conhecimento detalhado de funcionalidades de uma plataforma não listada, como o Slack.

A questão em análise aborda características específicas do Slack, tais como:

- Slack Connect  

- Slack Marketplace  

- Slack BlackBoard (sendo que o correto na plataforma é “Canvas” ou “Slack Canvas”, e não “BlackBoard”)

Tais itens não são de conhecimento obrigatório conforme o edital, pois referem-se a uma ferramenta não citada, cujo domínio não pode ser exigido com base em um tópico genérico.

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão por extrapolação do conteúdo programático estabelecido no edital.


QUESTÃO 74


Recurso para Anulação da Questão

No final do enunciado da questão, há a seguinte frase:

“Com base no procedimento relatado, assinale a opção que apresenta o conteúdo que será visualizado no arquivo CVS.”

No entanto, ao longo de toda a questão, o formato referido é CSV (Comma-Separated Values), conforme destacado quando o usuário exporta a planilha:

- “(...) salvar esta pasta de trabalho no formato (.csv) delimitada por vírgulas.”

- “(...) selecionou o formato CSV e nomeou o arquivo como PastaLCSV.”

A referência final a “CVS” constitui um erro de grafia que pode induzir o candidato ao erro, uma vez que:

1. CVS não é um formato reconhecido de arquivo para planilhas;  

2. Pode gerar confusão conceitual, levando o candidato a desconsiderar o contexto de exportação para CSV;  

3. Configura ambiguidade técnica, pois o comando solicita algo que não foi mencionado de forma consistente no corpo da questão.

Em provas de caráter classificatório, a clareza e a precisão terminológica são essenciais. A incorreção no termo final (“CVS” em vez de “CSV”) prejudica a interpretação inequívoca do que se pede, caracterizando vício no enunciado que justifica a anulação da questão.

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão por erro de grafia no comando, que compromete a objetividade e a correção da resposta esperada.



RECURSOS PROVA BRANCA - TIPO 1


RECURSO – questão  nº 02 (Classe gramatical dos adjetivos)



Prezados membros da banca examinadora,


Solicita-se a revisão do gabarito preliminar da questão  nº 02, que atribuiu como correta a alternativa B. A análise linguística revela inconsistênciatécnica na definição da alternativa correta, tanto pela interpretação normativa sobre o que constitui adjetivo quanto pela contagem efetiva de modificadores presentes em cada alternativa. A questão exige a identificação do trecho que apresenta a maior quantidade de adjetivos, mas tal requisito não se confirma com a opção apontada pela banca.


Conforme a gramática normativa, locuções adjetivas exercem a mesma função dos adjetivos simples, qualificando o substantivo e, portanto, integrando a mesma classe gramatical. Essa compreensão é assentada na Moderna Gramática Portuguesa de Evanildo Bechara, que afirma que a locução adjetiva desempenha a função de adjetivo; na Nova Gramática do Português Contemporâneo , de Cunha e Cintra, que reforça a equivalência funcional entre ambas; na Gramática Normativa da Língua Portuguesa de Rocha Lima, que igualmente reconhece as locuções adjetivas como expressões de natureza adjetiva; e ainda na Novíssima gramática da língua portuguesa , de Domingos Cegalla, que define locução adjetiva como expressão que equivale a adjetivo. Assim, qualquer contagem precisa deve incluir locuções adjetivas entre os elementos classificáveis como adjetivos.


Quando essa metodologia correta é aplicada, verifica-se que a alternativa D é, de longe, a que contém o maior número de modificadores adjetivos, totalizando seis qualificadores: “desinsofrido”, “largas”, “russilhonas”, além das locuções adjetivas “de prata”, “de seda” e “encarnado”. Trata-se, portanto, da alternativa que apresenta a maior quantidade de adjetivos, cumprindo exatamente o que o enunciado solicita. Assim, a alternativa D deveria ser considerada, primeiramente, como a correta, à luz da gramática normativa e da interpretação funcional dos modificadores.


Ainda que, por hipótese, se desconsiderassem as locuções adjetivas - o que contraria frontalmente a literatura linguística - permanece o problema de que a alternativa E apresenta número equivalente de adjetivos à alternativa B, o que revela múltiplas respostas possíveis. A alternativa E contém “enormes”, “jovial” e “forte”, e ainda o particípio “rebrilhando”, com valor adjetivo no contexto, o que a torna, no mínimo, equivalente à alternativa B. Isso demonstra violação ao princípio da univocidade exigido nas questões de múltipla escolha, pois mais de uma alternativa satisfaz o comando da questão.


A alternativa indicada no gabarito, portanto, não atende aos critérios exigidos para determinação da resposta única, seja porque outra alternativa (D) apresenta número superior de adjetivos, seja porque, em metodologia restritiva, ocorre empate com outra alternativa (E), tornando inviável a manutenção do gabarito preliminar.


Diante dessas inconsistências, solicita-se a retificação do gabarito da questão  nº 02, reconhecendo-se a alternativa D como correta. Subsidiariamente, caso a banca entenda haver inviabilidade técnica para definição de alternativa única, requer-se a anulação da questão, a fim de garantir segurança jurídica e igualdade na avaliação.



RECURSO – questão  nº 19 (Alternância verbal: passado e presente no texto “Nasce uma crônica”)



Prezados membros da banca examinadora,


Solicita-se a revisão do gabarito preliminar da questão  nº 19, que apontou a alternativa C como correta. A análise teórico-linguística da alternância temporal empregada por Luis Fernando Verissimo evidencia, porém, que apenas a alternativa E explica adequadamente a mudança do pretérito para o presente no texto, conforme estabelecem a teoria da enunciação (Benveniste), a semântica dos tempos verbais (Weinrich) e autores da linguística textual brasileira (Fiorin, Travaglia).


O texto inicia com a descrição de uma situação específica e pontual: o narrador encontra-se sendo entrevistado por uma jovem repórter. Esse evento delimitado temporalmente é adequadamente expresso pelo pretérito perfeito - “me perguntou”-, tempo que, conforme Weinrich ( Tempus , 1971), é usado para relatar acontecimentos fechados, datáveis e pertencentes ao “mundo narrado”. Trata-se de um enunciado que se ancora em um contexto concreto anterior ao ato de escrever.


A partir desse ponto inicial, o texto passa ao presente, que não descreve mais fatos específicos, mas apresenta reflexões gerais sobre o processo de criação da crônica. Esse presente possui valor gnômico ou habitual, empregado, segundo Fiorin ( As astúcias da enunciação ) e Travaglia ( Gramática e interação ), quando o enunciador formula verdades gerais, comentários metalinguísticos ou procedimentos que se realizam independentemente de um momento específico da enunciação. Nesse caso, o presente não está relacionado a um evento anterior, como afirma equivocadamente a alternativa C, mas a uma generalização sobre o ato de escrever.


Do ponto de vista da linguística da enunciação, Benveniste ensina que a alternância entre tempos verbais revela a mudança entre dois modos discursivos distintos: o relato de um fato passado (situação da entrevista) e a instauração de um “presente de enunciação” utilizado para construir explicações, conceitos e reflexões. É exatamente essa distinção que estrutura o texto de Verissimo e que está contemplada somente na alternativa E: primeiro, um acontecimento que motiva a crônica (a entrevista); em seguida, a passagem para um presente que marca a reflexão atemporal sobre o ofício de escrever.


A alternativa C, indicada no gabarito, não se sustenta à luz da teoria linguística. A descrição da alternativa pressupõe que a inscrição no passado remeta a um evento anterior à escrita da crônica “que é realizada no momento da enunciação”. No entanto, no texto de Verissimo, o passado não remete a um acontecimento necessário e permanentemente anterior ao processo de escrita, mas a um episódio específico que serve de ponto de partida temático. A mudança para o presente não representa continuidade temporal do passado, mas transição discursiva para o modo reflexivo, conforme a distinção entre “fundo” e “figura” proposta por Weinrich.


Diante disso, a interpretação correta é a oferecida pela alternativa E, pois apenas ela reconhece que o texto se estrutura a partir de um acontecimento pontual - a entrevista - e, a partir dele, desloca-se para um presente generalizante que exprime a reflexão sobre o processo de criação da crônica.

Assim, solicita-se a retificação do gabarito da questão  nº 19, atribuindo-se como correta a alternativa E, a única compatível com a teoria linguística e com a organização temporal do texto.



RECURSO – questão  nº 20 (Função do pronome “você”)


Prezados membros da banca examinadora,


Solicita-se a revisão do gabarito preliminar da questão  nº 20, que indicou a alternativa D como correta. A análise enunciativa do texto “Nasce uma crônica”, de Luis Fernando Verissimo, com base na teoria de Benveniste e nos estudos de linguística textual de Koch, Travaglia e Fiorin, demonstra que o emprego do pronome “você” produz efeito de sentido incompatível com a justificativa oferecida na alternativa D, sendo a alternativa E a única que expressa corretamente sua função no texto.


No excerto, o uso de “você” não tem caráter de indeterminação do sujeito, como sugere a alternativa D. Segundo a teoria da enunciação, especialmente em Benveniste ( Problemas de Linguística Geral ), a forma “você” instaura um destinatário definido na cena discursiva - um interlocutor com papel enunciativo claro. Nesse texto, esse interlocutor é a jovem jornalista que entrevista o narrador, descrita logo no início da crônica. O narrador, portanto, mantém no restante do texto a mesma interlocução instaurada na situação real da entrevista, deslocando essa cena comunicativa para dentro da crônica. Assim, o uso de “você” simula, no plano textual, a continuidade do diálogo com a jornalista, correspondendo exatamente ao efeito descrito na alternativa E.


Ademais, a alternativa C também não representa interpretação adequada, pois incorre em erro sociolinguístico ao afirmar que o emprego de “tu” atribuiria maior formalidade ao texto. A literatura linguística demonstra o contrário: “tu” é, em regra, mais informal do que “você” nas variedades do português brasileiro em que ambas as formas coexistem. A forma “você”, embora amplamente utilizada hoje como pronome neutro de tratamento, possui origem histórica na forma de tratamento formal “Vossa Mercê”, que evoluiu foneticamente para “Vosmecê”, “Vancê” e, por fim, “você”. Embora atualmente seja um tratamento generalizado, seu uso não é mais formal do que “tu”; tampouco é adequado afirmar que “tu” conferiria excesso de formalidade. A justificativa da alternativa C, portanto, contraria a sociolinguística histórica e contemporânea.


Por outro lado, a alternativa E alinha-se integralmente à análise linguística. O pronome “você”, no texto de Verissimo, funciona como mecanismo de interpelação da interlocutora específica - a jornalista - e como estratégia discursiva de simulação da cena comunicativa da entrevista dentro da crônica. O narrador leva para o texto a mesma configuração enunciativa do encontro inicial, dirigindo-se à entrevistadora com o mesmo pronome usado na situação real, o que reforça o caráter conversacional e o tom metadiscursivo da crônica.


Assim, a alternativa E é a única que explica adequadamente o valor comunicativo do “você” no texto, enquanto as alternativas C e D não se sustentam à luz da teoria linguística.


Diante disso, solicita-se a retificação do gabarito preliminar, atribuindo-se como correta a alternativa E.



RECURSO – questão  nº 23 (Estratégias argumentativas – “Nasce uma crônica”)



Prezados membros da banca examinadora,


Solicita-se a revisão do gabarito preliminar da questão  nº 23, que indica como correta a alternativa A. A leitura atenta do texto “Nasce uma crônica”, de Luis Fernando Verissimo, e a análise discursiva das estratégias argumentativas empregadas pelo autor mostram que a única alternativa incompatível com o funcionamento textual é a alternativa D, devendo esta ser considerada a resposta correta.


A alternativa A não pode ser tomada como exceção, pois o texto realmente apresenta pontuação fragmentada, períodos curtos e ritmo acelerado, elementos característicos do estilo cronístico de Verissimo. Tais marcas textuais contribuem para o tom conversacional, irônico e leve, características tradicionalmente reconhecidas pela crítica literária (Lopes, Proença Filho, Fiorin). Esse uso da fragmentação contribui para a construção argumentativa, simulando a oralidade e aproximando o leitor da enunciação. Portanto, a alternativa A descreve adequadamente uma estratégia textual efetivamente utilizada no texto.


Já a alternativa D é a única que descreve uma característica inexistente na crônica. Não há, ao final do texto, qualquer “perspectiva irônica sobre a escrita da crônica que nega ser um parágrafo de introdução”, nem se afirma que ali não se pratica o mesmo que se descreve. Pelo contrário, o texto inteiro funciona como uma reflexão metalinguística e irônica sobre o processo de escrita, com o autor justamente usando a entrevista fictícia como pretexto para exemplificar o próprio nascimento da crônica, recurso típico do metadiscurso. A ironia em Verissimo não opera pela negação do procedimento descrito, mas pela própria construção do texto como exemplo vivo daquilo que afirma discutir. Assim, a alternativa D expressa um sentido que não condiz com a função argumentativa do texto.


Além disso, a crônica efetivamente utiliza: (i) um exemplo inicial concreto para introduzir o tema da criação da crônica (alternativa B), prática reconhecida como estratégia argumentativa de ancoragem narrativa; (ii) elementos próximos ao cotidiano, aproximando o leitor e tornando o texto mais acessível (alternativa C); e (iii) um estilo leve, humorado e com traços de conversação, estabelecendo certa cumplicidade com o destinatário, marca recorrente no gênero e característica de Verissimo (alternativa E).


Assim, a única alternativa que não corresponde às estratégias argumentativas presentes no texto - isto é, a única exceção solicitada pelo enunciado - é a alternativa D. A alternativa A, apontada como correta pela banca, descreve fenômeno efetivamente presente no texto, não podendo, portanto, ser indicada como resposta.


Diante do exposto, solicita-se a retificação do gabarito da questão  nº 23, atribuindo-se à alternativa D a condição de resposta correta.

Referências Bibliográficas

1. Linguística, Enunciação e Análise do Discurso

BENVENISTE, Émile. Problemas de Linguística Geral I e II. Campinas: Pontes, 1995.
- Referência utilizada para fundamentar categorias de pessoa, enunciação, papéis de “eu” e “tu/você”, e funcionamento da cena enunciativa.

FIORIN, José Luiz. As Astúcias da Enunciação: as categorias de pessoa, espaço e tempo. São Paulo: Ática, 1996.
- Fundamentou explicações sobre alternância verbal, presente gnômico e funcionamento discursivo da enunciação.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1.º e 2.º graus. São Paulo: Cortez, 2002.
- Utilizado para justificar alternância de tempos verbais e interpretação enunciativa do “você”.

KOCH, Ingedore Villaça. A Coesão e a Coerência Textuais. São Paulo: Contexto, 2018.
- Base para interpretação do pronome “você” como mecanismo de interlocução textual e análise dos efeitos de sentido.

2. Semântica dos Tempos Verbais

WEINRICH, Harald. Tempus: Besprochene und erzählte Welt. Stuttgart: Kohlhammer, 1971.
- Fundamentou diferenciação entre “mundo narrado” (pretérito) e “mundo comentado” (presente), essencial para o recurso da questão 19.

3. Gramática Normativa (Adjetivos, Locuções, Ambiguidade, Sintaxe)

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
- Utilizado para fundamentar equivalência entre locuções adjetivas e adjetivos simples, justificando recursos das questões 02 e 05.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013.
- Base para classificação de classes gramaticais, adjetivos, locuções e sintaxe da ordem direta.

ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.
- Citado para reforçar classificação de modificadores e equivalência de locuções.

4. Estilística, Crônica e Estratégias Argumentativas

FÁBIO, Maria Teresa de Moraes. Estilística. São Paulo: Ática, 2005.
- Fundamentou explicações sobre fragmentação estilística, ironia e construção argumentativa em crônicas.

FIORENZI, Antonio; PROENÇA FILHO, Domício. Estudos de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ática.
- Utilizado para justificar análise estilística da crônica de Luis Fernando Verissimo.

VERISSIMO, Luis Fernando. “Nasce uma crônica”. O Estado de São Paulo , Caderno 2, p. 49, 01/05/2003.
- Texto-base utilizado nos recursos das questões 19, 20 e 23.

5. Sociolinguística (Uso de “você” e “tu”)

FARACO, Carlos Alberto. Linguística Histórica: uma introdução ao estudo da mudança linguística. São Paulo: Parábola, 2005.
- Referência para explicar a evolução histórica de “Vossa Mercê → Vosmecê → Você”.

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O Português Brasileiro: língua pluricêntrica. São Paulo: Parábola, 2011.
- Base para esclarecer variações sociolinguísticas entre “tu” e “você”.



Questão 72

​​


​Solicitação de anulação da questão referente ao recurso “Sudo” no Windows 11, por extrapolação do conteúdo programático do edital e por desvio da finalidade do cargo de Técnico do Poder Judiciário – Área Administrativa.

Fundamentação:

1. Incompatibilidade com o conteúdo programático do edital:
O edital especifica, no item 1 do conteúdo de “Noções de Análise de Dados e de Inteligência Artificial”, o seguinte:

“Sistema operacional Windows (conceitos e funcionalidades do Windows 10 e Windows 11).”

A redação trata de conceitos e funcionalidades gerais e usuais do sistema operacional, adequados ao uso administrativo e corporativo. O recurso Sudo, introduzido na versão 24H2 do Windows 11, é uma ferramenta de linha de comando voltada para administração avançada do sistema, tipicamente utilizada por desenvolvedores e administradores de TI. Não se trata de uma funcionalidade de uso comum no âmbito administrativo, nem foi citada no edital como tópico específico. Sua exigência em prova, portanto, extrapola o que foi previsto nos “conceitos e funcionalidades” do Windows 11.

2. Desvio das atribuições do cargo:
O cargo em questão é de Técnico do Poder Judiciário – Área Administrativa. As atribuições típicas envolvem atividades de suporte administrativo, uso de ferramentas de escritório, gestão de arquivos, comunicação institucional e aplicação de normativas — não a administração avançada de sistemas ou execução de comandos privilegiados via terminal. Cobrar conhecimento detalhado sobre um recurso como o Sudo, que exige conhecimentos técnicos especializados, fere a pertinência ao cargo, pois demanda habilidades que não são requeridas para o exercício das funções administrativas previstas.

Vemos então, que a questão está desvinculada do edital e da pertinência ao cargo, uma vez que exige conhecimentos não previstos e não relacionados às atribuições do cargo de Técnico Administrativo do Poder Judiciário.

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão nº 72.


00

Fale com a gente

Converse com a equipe de Vendas Ceisc pelo Whatsapp ou então tire suas dúvidas com o Atendimento Ceisc pelo e-mail para atendimento@ceisc.com.br